A neuromodulação deixou de ser o último recurso para poucos casos e se tornou uma área em expansão rápida, com novas tecnologias chegando todo ano. Para quem trata dor, vale separar o que já tem evidência sólida do que ainda está em fase de entusiasmo.
Estimulação medular
É a modalidade mais estabelecida, com indicação consolidada em dor neuropática de membros, síndrome dolorosa pós-laminectomia e síndrome dolorosa regional complexa. As novas formas de onda, como alta frequência e estimulação em burst, ampliaram as respostas e reduziram a parestesia que incomodava os pacientes dos sistemas antigos.
Estimulação de gânglio da raiz dorsal
Direciona o estímulo a uma região muito específica, com resultados promissores em dores focais de difícil controle, como as de pé, virilha e joelho. A seleção do paciente é o que define o sucesso.
Estimulação de nervo periférico
Sistemas menores, menos invasivos e com implante mais simples estão tornando a técnica acessível para dores localizadas em nervos periféricos. É uma das áreas de crescimento mais rápido.
O que ainda é promessa
Sistemas de circuito fechado que ajustam o estímulo em tempo real, estimulação sem implante e combinações com terapia digital estão em estudo. Os dados iniciais são interessantes, mas ainda não justificam mudança de prática.
O ponto que não muda
Tecnologia não corrige indicação errada. O teste de estimulação antes do implante definitivo, a avaliação psicológica e a expectativa realista continuam sendo o que separa bons resultados de explantes precoces. Quem quer trabalhar com neuromodulação precisa dominar primeiro a seleção do paciente.


