Uma boa anamnese resolve mais casos de dor do que qualquer exame de imagem. O problema é que, na pressa da agenda, ela vira uma lista de checagem. Aqui estão sete perguntas que, feitas com atenção, costumam mudar a conduta.
1. Onde dói e para onde vai?
Localização e irradiação separam dor axial de dor radicular, dor somática de dor referida. Peça para o paciente apontar com um dedo. A resposta é mais informativa do que parece.
2. Como é essa dor?
Queimação, choque e formigamento apontam para componente neuropático. Peso, aperto e latejamento sugerem nocicepção. Vale registrar as palavras do paciente, não a sua tradução.
3. O que piora e o que melhora?
Dor que piora ao sentar e melhora ao caminhar conta uma história diferente da dor que piora ao ficar em pé. Padrão mecânico orienta tanto o diagnóstico quanto a reabilitação.
4. Como está o sono?
Dor que acorda o paciente à noite exige atenção redobrada para sinais de alarme. E sono ruim amplifica a dor no dia seguinte, num ciclo que precisa ser quebrado.
5. O que você já tentou?
Medicações, doses, tempo de uso e motivo da suspensão. Muitas “falhas terapêuticas” são doses insuficientes ou tempo curto demais.
6. O que essa dor está impedindo você de fazer?
Função é o desfecho que importa para o paciente. Trabalhar, cuidar dos filhos, dormir. Essa resposta vira a meta do tratamento.
7. O que você acha que está causando isso?
A crença do paciente sobre a própria dor prevê adesão e resultado. Medo de movimento e catastrofização são fatores tratáveis, mas só se forem identificados.
Nenhuma dessas perguntas leva mais de um minuto. Juntas, elas transformam uma consulta reativa em um plano.


