As principais diretrizes internacionais sobre dor lombar convergiram nos últimos anos em uma direção clara. Quem ainda trata lombalgia crônica com repouso, exame de imagem de rotina e receita de analgésico está praticando a medicina de uma década atrás. Veja o que mudou.
Imagem só com sinal de alarme
Ressonância na dor lombar sem bandeiras vermelhas não melhora o desfecho e aumenta a chance de procedimentos desnecessários. Alterações degenerativas são comuns em pessoas sem dor. A recomendação é clara: imagem quando há suspeita de doença grave ou déficit neurológico progressivo.
Educação e movimento como primeira linha
Explicar a dor, desmontar o medo de se mover e prescrever exercício são as intervenções com melhor evidência. O tipo de exercício importa menos do que a adesão. O papel do médico é dar segurança para que o paciente volte a se mexer.
Opioides: exceção, não regra
Para dor lombar crônica não oncológica, o benefício é pequeno e o risco é alto. As diretrizes recomendam evitá-los ou reservá-los para situações específicas, com plano de retirada desde o início.
Abordagem multimodal e biopsicossocial
Sono, humor, trabalho e crenças sobre a dor influenciam o resultado tanto quanto o achado anatômico. Tratar só a coluna é tratar metade do problema.
Intervencionismo com critério
Procedimentos têm lugar quando existe gerador de dor identificado e falha das medidas conservadoras. Bem indicados, ajudam. Como rotina, não.
Nada disso é novidade para quem estuda dor. A novidade é que agora está escrito, e vale cobrar da prática.


