O intervencionismo em dor cresceu muito nas últimas duas décadas, e com ele cresceu também a confusão sobre o que cada procedimento realmente entrega. Na dor lombar, a pergunta certa não é “funciona ou não funciona”, e sim para qual paciente, com qual diagnóstico e com que objetivo.
Primeiro, o diagnóstico
A dor lombar inespecífica, a mais comum, responde melhor a educação, exercício e manejo multimodal do que a qualquer agulha. O intervencionismo faz sentido quando existe um gerador de dor identificável: a articulação facetária, a sacroilíaca, a raiz nervosa comprimida, o disco. Blocos diagnósticos bem conduzidos são a ponte entre a suspeita clínica e a indicação do procedimento terapêutico.
O que cada técnica se propõe a fazer
- Bloqueio facetário e ramo medial: confirmam a origem facetária. Quando o alívio é consistente, a radiofrequência do ramo medial pode oferecer meses de controle.
- Injeção epidural transforaminal: útil na dor radicular aguda ou subaguda, com benefício maior no curto prazo. Não trata a hérnia, trata a inflamação da raiz.
- Radiofrequência da sacroilíaca: opção para a dor sacroilíaca confirmada por bloqueio, com resultados variáveis conforme a técnica.
Expectativa realista
Nenhum desses procedimentos substitui a reabilitação. O ganho é abrir uma janela de alívio em que o paciente consegue se mover, fortalecer e recuperar função. Explicar isso antes do procedimento é parte da técnica, não um detalhe. Paciente bem selecionado e bem orientado é o que separa um bom resultado de uma decepção.


