Medir dor é medir uma experiência subjetiva, e por isso as escalas geram tanta resistência. Mas sem medida não há acompanhamento: como saber se o tratamento funcionou se não sabemos de onde partimos? A solução não é aplicar todas as escalas, e sim escolher as certas para cada momento.
EVA e escala numérica: a intensidade
A escala visual analógica e a escala numérica de 0 a 10 são rápidas e boas para comparar o mesmo paciente ao longo do tempo. Não servem para comparar pacientes entre si: o 7 de um não é o 7 de outro. Registre sempre nas mesmas condições, de preferência a pior dor e a dor média da última semana.
BPI: a dor no contexto da vida
O Inventário Breve de Dor vai além da intensidade e pergunta sobre interferência: no humor, no sono, no trabalho, nas relações. É o instrumento que melhor traduz o que o paciente com dor crônica está vivendo, e o que mais ajuda a definir metas funcionais.
DN4: a triagem do componente neuropático
Quatro perguntas e dois itens de exame físico. Pontuação igual ou maior que 4 sugere componente neuropático e orienta a escolha farmacológica. Leva dois minutos.
Como usar sem pesar a consulta
- Aplique o BPI na primeira consulta e a cada reavaliação importante, não em toda visita.
- Deixe a intensidade para a recepção ou para o app, antes da consulta.
- Use o DN4 quando a descrição da dor levantar suspeita, não como rotina universal.
- Mostre o resultado ao paciente. Ver o número cair é motivador.
Escala é ferramenta de conversa, não substituto dela.


